domingo, 12 de fevereiro de 2012


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Eu adoro todas as coisas 
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite. 
Tenho pela vida um interesse ávido Que busca compreendê-la sentindo-a muito
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas, 
Para aumentar com isso a minha personalidade. 


Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio 
E a minha ambição era trazer o universo ao colo 

Como uma criança a quem a ama beija. 
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras, 
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo 
Do que as que vi ou verei. 

Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações. 
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos. 

Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca. 
[...]
[Álvaro de Campos]