quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

1 ano do Acolher com Amor!

Bom dia gente, é com muita alegria que comemoro um ano de blog. Como passou rápido. A gente começa um blog meio que sem pretensão e quando se dá conta ele faz aniversário, e neste um ano muitas coisas me marcaram por aqui, principalmente as amizades, as demonstrações de afeto, carinho e as reflexões que outros blogs me proporcionaram. Para comemorar, foi proposta uma blogagem coletiva com o tema: Acolher: um ato de amor! Fiquei pensando em uma história para contar, e me veio uma na cabeça muito especial que vou dividir com vocês. Os nomes serão fictícios, tal fato aconteceu há mais ou menos 10 meses atrás.

Quando acolher faz diferença na vida das pessoas


Já era fim de tarde e do meu expediente quando o enfermeiro da unidade de saúde entrou na minha sala dizendo: 
- Teresa, tem uma moça que tá vindo direto aqui na unidade, ela tá gestante...eu não sei o que ela tem, ela chora ...acho que ela tinha que passar com a psicóloga, mas a Elisa tá de férias. 
Falei para o enfermeiro que chamasse a moça para que eu pudesse conversar com ela. 
Entra uma mocinha assustada, meio tímida, meio sem rumo...
Peço para que se sente na cadeira e pergunto o que está acontecendo com ela, no que eu poderia ajudá-la...
Mariana responde que não sabe e começa a chorar. Pergunto sobre a sua família e ela responde que não tem ninguém. Pergunto onde estão essas pessoas e numa dor profunda, chorando aos soluços ela responde:
- Minha mãe quando eu nasci, me deu para a adoção. Minha mãe adotiva morreu quando eu tinha 10 anos. Meus irmãos adotivos mandaram eu seguir meu caminho aos 17. E o pai da minha criança, que conheci no meu trabalho me abandonou grávida, depois de estarmos morando juntos à 6 meses. Mariana, aos 18 anos vivia uma história pesada. E continuou...faz 3 dias que não apareço no trabalho. Só tenho pensado besteira. Não sei como continuar vivendo. 
O que fazer? 
Pedi que ela se acalmasse que agora ela teria a gente da unidade de saúde para cuidar dela. Pedi o número do telefone do empregador dela e liguei para ele. Para a minha sorte, o gerente da rede de supermercados que Mariana trabalhava era um homem de bem, com o coração cheio de amor. Expliquei a situação, ele entendeu e solicitou que ela pudesse passar por uma médica que desse um afastamento para que não perdesse o emprego por abandono de trabalho. E assim fizemos. No mesmo dia a médica deu o afastamento e passei a acompanhar Mariana de perto. Fazia visita domiciliar, ajudamos a montar o enxoval...íamos atrás mesmo. 
Mariana então passou a confiar na unidade de saúde e lá passou a ser sua referência. Quase todos os dias passava por lá para me dar notícias ou pedir ajuda para algo. Já não chorava tanto mais e os pensamentos negativos ela já conseguia digerí-los. Ela foi se fortalecendo. Sim, ela ainda precisaria de muita força, pois no sétimo mês de gestação, descobriu que estava com uma doença sexualmente transmissível que havia sido passada pelo pai da criança. Por isso, sua menininha corria o risco de nascer prematura. Mas Mariana enfrentou a situação. Fez o tratamento e deu a luz à sua menininha. Assim que pode, me ligou para contar. 
Fui conhecer a pequena depois que ela saiu da UTI. Aquela criancinha frágil, delicada...parecia ser até uma mensageira de Deus na vida de Mariana, para que ela não se sentisse tão só mais. 
Hoje, a criança está com 4 meses de vida. Muito bem cuidada. Mariana continua indo à unidade e me tem como uma amiga. 
E eu, jamais esquecerei Mariana. 


Como mensagem final, gostaria de dizer que alguns minutos de nossa atenção, amor e carinho podem fazer diferença na vida de alguém!


Um beijão à todos que estão participando da minha festa. Amanhã farei o sorteio do livro. 

"Fica sempre um cheio de perfume nas mãos que oferecem rosas..."