quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Filhas do abandono


Bruna não nasceu,  foi jogada no mundo.
Não sabia o que era amor, afeto, carinho,afeição...
Talvez, ela tenha experimentado algum esboço desses sentimentos.
Bruna foi crescendo assim, no mundo. 
Aos 10 anos novamente foi lançada à própria sorte,
sua genitora não estaria mais com ela, nem com seus irmãos,
fora seguir seu caminho.
O mundo não é só lindo, ele é cruel também.
Abuso, prostituição.
Migalhas de qualquer coisa para quem não tem nada, é tudo. 
Bruna, conheceu um mundo de oportunidades que em sua ilusão lhe garantiria o apego, a sustentação de que ela precisava.
Um mundo sedutor, cheio de aventuras. 
Se agarrou a essa rede
gerou dois filhos nesse caminho.
Um dia, Bruna pensou que talvez pudesse ser diferente.
Será?
Poderia, mas existem situações fortes e pessoas frágeis.
E as filhas do abandono são muito frágeis.
Quebram com facilidade.
E assim, Bruna continuou se jogando à própria sorte, como nascera.
O que teria à perder? Os filhos? 
Quem não tem apego, 
não sabe se apegar também.
Mas a lei está aí, para ser cumprida para alguns
e essa história, hoje, terminou assim:
Bruna virou notícia de jornal, com a chamada:
Presa: a "Cinderela do tráfico", 
afinal, eu esqueci de dizer, que Bruna é muito bonita, 
talvez como a cinderela dos nossos contos de fada.