quinta-feira, 11 de março de 2010

Mulheres que queremos e não queremos ser- Janaína Depiné

Na semana da mulher, felizmente me deparei com texto de Janaína Depiné publicado em uma revista. Adorei, por isso faço questão de postá-lo aqui para compartilhar com os leitores do blog. Aproveitem:

Não queremos ser a CLÁUDIA LEITTE
Dar a luz e em um mês mostrar uma barriga de tanquinho? Obrigada, mas dispensamos. Mulher que tem filho, tem o direito de primeiro cuidar do rebento. Se sobrar um tempinho a gente dá um trato no visual. É a força da natureza. Os hormônios conspiram e nos inspiram a dedicar-nos aos pequeninos. Cai a libido, cresce o instinto materno. Um tempo depois, tudo vai voltando ao lugar, cada mulher no seu ritmo. Sem pressão, nem cobranças.





Não queremos ser a BEYONCÉ
Linda e talentosa, a cantora chamou a atenção do Brasil na sua rápida passagem por algumas capitais. Apesar de todo furor que provoca e de ser considerada uma diva, não se pode negar que a cantora repete velhos esteriótipos. A mulher que rebola semi-nua quer colocar um anel no dedo a qualquer preço. E se o homem bobear, ela o trata como típico machão: manda pegar uma caixa (à da esquerda, da esquerda), juntar os pertences e desaparecer da sua vida. Obrigada, também não queremos homens assim e nem nos vestir como uma Rita Cadilac dos tempos modernos.

Não queremos ser FRUTA

Melancia, maça, melão...no hortigranjeiro do mercado feminino tem espécie para todos os gostos. Obrigada, mas não somos objetos de nenhum pomar. Preferimos ter o cheiro de fruta, do que a cara ou biotipo de uma. Por isso, nós mulheres, queremos abolir esses padrões de beleza comprados em clínicas. Com menos cicatrizes de plásticas e mais marquinhas da vida.







Não queremos ser a MADONNA

Claro que queremos manter a juventude pelo maior tempo possível, mas não fingir que o tempo não passa. Por isso, queremos ter o direito de envelhecer com orgulho. Queremos poder mostrar ao mundo nossas rugas e nosso valor, sem ter que para isso ter um "toy boy" como troféu de virilidade feminina. Queremos companheiros de verdade que ofereçam não só prazer, mas companhia, parceria e afeto.




Queremos ser GLÓRIA STEINEM

Precisamos ter a coragem dessa jornalista que, nos anos 60, se infiltrou nos bares da Playboy, como garçonete, para revelar a situação degradante das moças que trabalhavam por lá. E esse foi apenas um dos materiais que tornaram essa profissional uma referência feminina. O artigo "Se os homens menstruassem" deveria ser leitura obrigatória para as meninas valorizarem o poder que têm de fato.






Queremos ser ZILDA ARNS

Também queremos mudar o mundo, ou melhor dizendo, fazer a nossa parte para isso.E mais, queremos fazer isso conciliando com uma carreira, com uma família. Sendo lembrada tanto pela obra, quanto pelo jeito doce e feminino. E talvez, se tivermos um belo fim, morrer fazendo o que acreditamos.





Queremos mais luz de velas e menos Photoshop

Da Vênus de Botticelli à Gracyanne Barbosa de Belo (desculpem a comparação esdrúxula) somos diariamente convencidas de que há um modelo de beleza a ser seguido, ou melhor, consumido. Afinal, tudo se trata de uma relação de compra e venda. Vendem-se um ideal para consumirmos mais produtos, e assim, nos aproximamos desse modelo. Não queremos belezas retocadas em programas de edição. Queremos beleza de verdade, com imperfeições camufladas à meia luz, mas repletas de verdades.




Queremos SER NÓS MESMAS
Queremos mostrar nossa garra, sem perder a doçura. Queremos deixar de ser alvo fácil do discurso midiático que impõe modelos de relações afetivas, sexuais e do próprio corpo. Queremos poder apenas exercer nossa feminilidade na mais absoluta plenitude. Falíveis, cheias de pontos fracos, de fragilidades, de incoerências, mas repletas de afeto, dispostas a relacionar, ouvir, sem nunca perder a consciência de que não temos super poderes, por mais que pareçamos.










Texto de Janaína Depiné publicado na revista CULT número 58.
Quero parabenizar a jornalista pelo texto e dizer que ela ganhou uma fã.